quinta-feira, 10 de maio de 2012

Sintam o cheiro...



No dia seguinte à chegada em Bento Gonçalves participamos de um curso de vinho. O curso consistiu em uma visita á fábrica para entender todo o processo de fabricação: 2 horas. Depois fomos para a área onde é o envelhecimento em barris e o envelhecimento em garrafas, para, depois de longas 3 horas, irmos para a parte principal e mais esperada: degustação.

Eu tinha visto no folheto que a degustação seria de 50 ml por garrafa de vinho. Isso me deixou um pouco chateado. Acho que uma taça seria uma quantidade razoável.  Mas chegando na sala da degustação vi que seriam um total de 7 tipos de vinho e mais um champanhe. Ou seja, nesta quantidade talvez os 50 ml seriam suficientes para ficar pelo menos alegre.

Quem ministrava o curso era um enólogo chamado Andrei Belle. Ele trabalha na Casa Valduga.
Primeiramente o Andrei pediu para que a gente cheirasse o vinho. Mas cheirar mesmo. Enfiar o nariz na taça. Fizemos.

- E aí, o que vocês sentiram?

- Cheiro de vinho. (respondi mentalmente). Mas um senhor ao lado já começou a demonstrar que entendia ]
muito:

- É amadeirado. Com um detalhe de tostamento.

- Exato. Além do amadeiramento ele possui também alguma coisa meio frutada. Tem um toque de banana, de manga, abacaxi, frutas tropicais. Conseguem sentir?

Nisso eu comecei a viajar nessa história. Tá, eu senti um pouco do cheiro da madeira. Mas a banana? A manga? Porra, só tava sentindo o cheiro de uva. Virei logo a primeira taça. Fomos para o segundo.

- Gente, sintam bastante o cheiro. Pensem no que vocês sentem.

Dessa vez eu já tava com uma coisa pronta porque eu já sabia que praticamente todos os vinhos tintos descansam na madeira de carvalho e aí já saí com essa:

- Bom, neste vinho eu consigo perceber que ele tem um tom amadeirado.

- Parabéns! - Disse o Andrei. Apesar de eu ter notado um certo desprezo pela minha observação. Acho que ele deu os parabéns só para me incentivar.

Aí lá vem o senhor que entedia de vinho:

 - Percebo que este lembra alguma coisa floral.

- Parabéns. Este vinho tem aroma de jasmim, rosa. Ele também lembra as flores secas.

Bem que eu tentei extrair alguma coisa disso, mas não consegui, mais uma vez deixei a discussão entre os entendidos e virei a taça.

Mas aí, no terceiro tinto, como já tinhamos passado pelos brancos, (ou seja, era a sexta degustação) a minha imaginaçao já estava bem estimulada.  Ainda mais que, dos 8 participantes do curso, eu era o único que havia bebido tudo que estava na taça. Todos os outros  só tomavam um gole.

Próximo vinho:

- Gente vamos cheirar profundamente e ver o que sentem.

Aí eu já tava meio treinado:

- Eu sinto um suave perfume de madeira e...... sinto...... também... (aí me fugiu o aroma que eu sentia). Eu queria  dizer que eu sentia o cheiro de fazenda, de chácara. Mas eu precisava ser específico. Então alguém logo interviu:

- Tem cheiro de especiarias.

- Exato. Ele lembra canela, lembra baunilha, lembra gengibre. Disse o Andrei.

Dessa vez, tudo que ele dizia eu já conseguia sentir também. Eu percebia cada pedaço de canela passeando pelo meu nariz. A baunilha estava sentada ao meu lado. O gengibre pairava sobre a sala Aí completei:

- Lembra açafrão, lembra tomilho, lembra louro...

- Parabéns!

Virei mais uma taça. E comecei a me sentir o verdadeiro enólogo. Saí caminhando com passos altos e confiantes. A partir dali eu estava pronto para discutir com qualquer enochato sobre o mundo do vinho.


Obviamente que fosse a partir da sexta taça.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Bento Gonçalves


Vale dos Vinhedos

Saimos de Porto Alegre na 2 feira de manhã com destino ao Vale dos Vinhedos, mais precisamente, íamos para Bento Gonçalves.

Como na chegada ao hotel em Porto Alegre o Bob tinha acertado quase tudo, acionei ele e fiquei tranquilo. Contando que ele nos guiaria do centro até a saída da cidade. Aí começaram os problemas. Ele começou a pedir para fazer retornos em lugares proibidos. Eu segui direto. Aí ele "recalculava a rota" e mandava eu entrar numa rua na contramão para voltar. Eu recusava. E aí foi desse jeito um tempão.Quanto vi, eu estava cada vez indo para mais longe do meu destino e não conseguia voltar. Já tinha rodado uns 40 minutos sem dar resultado.

Aí eu lembrei que o cara do hotel tinha dito que devíamos ir para a Zona Norte. Mandei o Bob para a PQP e começei a seguir as placas que indicavam "zona norte". Depois paramos para perguntar umas 2 vezes até conseguir pegar a saída. Depois de quase uma hora conseguimos pegar a saída da cidade.

Logo na saída de Porto Alegre pegamos uma via que leva até as serras gaúchas e que tinha uma sugestiva placa de "Você está entrando na Rota Romantica". Seguimos. Quilometros adiante eu  dei um beijo na Sam e fiz uma declaração de amor.

Andamos alguns quilometros. A estrada realmente é muito bonita. Você tem a impressão que tem jardineiros e paisagistas cuidando das árvores e arbustos que cercam a via.

Este caminho é o mesmo que vai para Gramado. Contudo, uns 50 km depois você muda o rumo e segue para Bento Gonçalves.

Na mudança da rota, vimos a placa: " Você está entrando na estrada da Felicidade." Seguimos. Quilometros adiante eu notei que  espalhou-se uma alegria imensa pelo meu corpo.

Quando estávamos a cerca de 20 km para chegar ao destino havia uma nova placa: "Você está entrando na rota da gastronomia". Se eu já estava com fome antes de ver a placa, imaginem depois.

Chegamos em Bento Gonçalves, para ser mais exato, chegamos no Vale dos Vinhedos por volta das 15h. O Vale fica cerca de 3 km da cidade. É um Vale. Cheio de videiras, cheio de vinicolas e com algumas pousadas.

Ficamos na pousada Vila Valduga. É uma pousada que fica dentro da Vinícula Valduga.  É uma das maiores daqui da região. Acho que é também uma das maiores do Brasil.
A pousada é excelente. Escolhemos, para este local, ficar num quarto um pouco melhor. Foi mais caro. Mas valeu a pena. O quarto é lindo.
Tem uma varanda onde podemos ver uma parte do Vale dos Vinhedos. E temos um pavão de companhia.
Ele sempre fica na varanda desfilando suas cores.

domingo, 6 de maio de 2012

DROGAS



Quando estamos longe de casa ficamos vuneráveis em vários sentidos.

Não temos controle sobre o café da manhã  que tomamos. Almoçamos em lugares que não sabemos a procedencia.  Dormimos com lenções que não sabemos se estão limpos. Usamos toalhas sem também ter esta certeza.  Ou seja, você fica exposto a tudo.
Resta torcer e confiar.

Na vinda para PoA, paramos em um bar de beira de estrada. Dei uma olhada geral no ambiente para analisar se correríamos algum risco em comer algo dali.
Aparentemente não havia nenhuma sujeira muuito visível. Porém, preventivamente, optamos por beber  coisas lacradas. Coca.

Para comer, arriscamos um misto. Torcendo para que o queijo e  presunto não tivessem mais de 30 dias de vencidos.  Pelo que percebemos eles eram novos. Mas o misto em si era uma merda.


Bom, voltando ao início, numa viagem você está muito exposto. Por mais que você se previna, nunca dá pra se cercar de todos os cuidados.

Acabamos contaminados por uma droga extremamente poderosa.
Durante 3 minutos ficamos expostos à isto aqui abaixo.

http://www.youtube.com/watch?v=ieTqnOtuowE

Quem quiser experimentar, por curiosidade, fique à vontade. Mas adianto que depois você ficará cantarolando por vários dias.

Orgasmo



Ei, ei, ei

Estamos de volta para o hotel. Ontem fomos num restaurante polonês chamado Polska.

http://www.polskarestaurante.com.br/

Ficamos impressionados. O guia 4 Rodas o elegeu como melhor restaurante polonês do Brasil. Isso, em si, não significaria muita coisa contando que ele, provavelmente, deve ter no máximo uns 2 concorrentes. Eu mesmo não conheço nenhum.

Bom, mas isso não tira os méritos do local. É realmente impressionante. Um restaurante familiar. É um casal filho de poloneses. Devem ter aproximadamente 60 anos.

É um serviço de buffet onde você paga 37 reais e tem direito a comer tudo que tem no restaurante. Há uma mesa com entradas: caldos, frios e outros. Depois, os pratos são feitos "a la carte" e servidos à mesa. São 10 tipos de comida. Se você quiser repetir é só pedir.

O proprietário leva os pratos e explica o que é e como foi feito. Os igredientes são todos normais. Coisas que usamos no dia-a-dia.  Mas a forma de executá-los, meu deus, dá vontade de "ajoelhar antes de comer". A comida é maravilhosa.

Tem uma almondega de frango, coberta ao molho de mostarda e ervas, que é um atentado à qualquer dieta.
Eu não lembro os nomes, em polonês, mas há uma massa caseira, parecida com um pastel. Mas, tecnicamente é um macarrão. Caseiro, é claro. Recheado com queijo ricota e coberto com cebola grelhadas no azeite.  Olha que eu não gosto muito de massas. Mas esta é simplesmente incrível.  Se no céu os anjos comem alguma coisa, com certeza esta massa é o prato principal. É levíssima. Depois que você come parece que você vai flutuar.

O mais interessante de tudo é o que eles fazem com igredientes normais.  Existem 2 acompanhamentos que me impressionaram. Uma cenoura cozida temperada com mel e camomila e uma beterraba cozida temperada com raiz forte. Cenoura e beterraba.

Sinceramente alguém acharia que cenoura e beterraba poderiam virar alguma coisa interessante? A gente come isso só para ajudar a prevenir doenças ou quando é obrigado, pela mãe, quando é criança.

Pois por incrível que pareça estas duas vitaminas se transformaram em acompanhamentos fantásticos. Você não vai comê-las puras. É como quetchup, usa para acompanhar. As duas, quando a gente come junto com as outras carnes que são servidas formam uma explosão de sabor na sua boca.
 Uma mistura incrível que sobe pelas narinas, boca, cérebro.

Conforme a Sam confidenciou para o proprietário ao fim da refeição, "foi um orgasmo gastronômico".

CREME PARA CABELO



Tinha uns 4 dias que eu não cuidava direito do meu cabelo.

Sempre acontecia a mesma coisa.
Eu ia tomar banho e, no meio do processo, descobria que não tinha levado o xampu comigo. Que este estava guardado dentro da minha mala.

Nos primeiros dias a solução era simples: pegava o xampu da Sam escondido.  Contudo, acho que algum dia desses eu deixei ele em local fora do normal. Aí ela deve ter notado isso e começou a não deixá-lo mais no banheiro. Ela usa e guarda.

Por causa disso nos ultimos 3 dias meu cabelo vinha sofrendo um processo de endurecimento.
Aí hoje eu notei que o travesseiro que usei para dormir estava um pouco desfiado. A coisa estava ficando esquisita. Já não conseguia abaixá-lo apenas passando água.

Aì resolvi tomar a decisão de lembrar de pegar o meu xampu que estava guardado no fundo da mala e levá-lo ao banheiro antes do banho. Fiz.

Lá estou eu tomando meu delicioso banho e fui para o cabelo.

Peguei o xampu e despejei uma boa dose na mão. Era necessário uma grande quantidade de xampu pois e notara que a água não conseguia transpor o meu cabelo. Ela batia e escorria. O cabelo estava se tornando impermeável. Com certeza era preciso uma grande quantidade de xampu. Enchi a mão e espalhei.

Nada de espuma. Ficou grudendo. Puta merda!
 Comprei creme em vez de xampu! Mais uma vez cometi esta idiotice.
Fui conferir na embalagem. Era um pouco pior.
Como meu cotovelo, segundo observação da Sam, parecia uma lixa de unha.
No dia que comprei o xampu eu havia comprado também um creme Nívea para pele.

E foi ele que eu botei no cabelo.
Como já tava impregnado, toquei sabão, toquei um xampuzinho de hotel que eu achei na gavetinha do banheiro e fiz uma mistureba.

Vamos ver o que dá.
Enquanto isso o meu xampu que custo 16,00 está guardado no fundo da mala.

E a Sam não sabe disso.
Ainda bem que ela não lê blog.

sábado, 5 de maio de 2012

Porto Alegre


Rio Grande – POA

Boa tarde...
Chegamos ao Rio Grande, tche!

Saímos ontem de Blumenau. Viajamos uns 300 km. Dormimos na estrada. Saímos hoje cedo e chegamos aqui. Antes de vir para o hotel fomos almoçar na Churrascaria Portoalegrense.
Ótimo local. Preços bons. Comemos uma costela bovina assada. Estava excelente.

Viemos para o hotel. Estamos no centro. Fui dar uma caminhada pela cidade.

Uma das coisas que eu mais gosto em viajar é conhecer a cultura do local. Para mim, tão importante quanto ver paisagens legais, é viver, pelo menos em parte, como o povo do local vive.
Eu gosto de ler o jornal que eles lêem, ouvir as músicas da região, ouvir as estações de rádio locais,
beber e comer as comidas típicas. Tudo que for diferente eu tô dentro.

A Sam me acompanha nas comidas e bebidas. Aí é uma boa.
A cidade, pelo menos no centro, assemelha-se com suas irmãs BH e Rio.
Vi mais pessoas alternativas (piercing, tatuagens, estilos diferentes). Como nas outras capitais, vi várias lojas de vendas de empréstimo consignado para idosos. Uma fábrica de oportunidades para os filhos e netos bandidos.

Mas agora é 16h. Estou fazendo um alongamento no fígado. Hoje é sexta-feira, estamos de férias numa cidade diferente, vamos sair sem carro, amanhã eu não preciso acordar cedo, tem bares com música ao vivo tocando, os preços daqui parecem bem convidativos, ou seja: tudo conspira para encher a cara. Não vou beber até cair. Mas, acho que umas 10 cervejas das 19h até às 2h da manhã me parecem uma quantidade razoável.

A insustentável leveza do chope (versão 1)

O que você é,  é o que você pensa?
O que eles dizem  é o que você vê?
Um copo na mão e uma sentença:
Passar a noite inteira com você.

O que você faz é o que você sente?
O que eles sabem você cansou de saber?
Um chope na mão e a indiferença
Tocando o foda-se para o que vão dizer

“bebi, bebi, desfiz uma crença ...
enfim descobri.. o creme compensa”  **

** Jose Leite (poeta)